By charm/enchantment school
A sensação (ou intuição) que tive era a de que queria exprimir algo, dizer talvez. Mas poderia ser um mero sentimento ou expressão, talvez nem algo fácil de entender.
Talvez nem mesmo algo importante... Mas se parecia ter tanta vontade, poderia mesmo não ser importante?
Só sei que isso me encucou... e fascinou ao mesmo tempo. Ora, não é sempre que se vê uma situação dessas, ocorrendo assim, em plena luz do dia, num ônibus e em meio a quaisquer outras coisas comuns. Mas não é assim que algo se torna mágico? Ou que transformemos isso em mágica...
A sensação ficou presa na garganta, o olhar ficou preso em mim e eu fiquei preso nas coisas mágicas. Quase irônico. Poderia ter pedido pra falar ou exprimir, mas preferi deixar que a situação ocorresse de fato. Palavras ás vezes estragam momentos que devem ser desprovidos de sons, salvo os sons do ambiente.
A situação prosseguiu. Exprimiu até um meio sorriso.
Não, acho que na verdade foi um sorriso que ficou preso entre a sensação... abafado por aquela coisa que estava presa e afetando tudo. Só o olhar diz, só o olhar é testemunha... e eu sei bem que ele pode ser capaz de dizer mais do que os maiores sonhos de descrição de um escritor devotado a sensação de transmitir sensações.
Escrevendo agora parece que foi tanto tempo... as palavras falham em tornar isso tão mágico quanto foi. Ainda poderia ter sido algo banal e desprovido de qualquer importância, mas (ainda) não tinha sido dito, então...
Agora, repensando tudo vários minutos depois da situação eu consigo entender que não importava o que estava tentando expressar. Importava passar por aqueles momentos e poder ter vivenciado a situação como vivenciei. Um aprendizado, um sorriso meu que saiu fácil e involuntário mesmo depois e a certeza de ter presenciado um pequeno momento que faz valer grandes passagens não-descritivas por esta coisa toda de estar vivo e de aprender sobre humanos.
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