By alma de Troll
O título de regeneração é quase uma ironia para aquilo que passamos.
Nas muitas vezes que a Vida (e as outras pessoas, embora sejam mais as outras pessoas do que a Vida.) nos machuca, em algum momento sentimos tanto que é necessário algum tipo de "cura" e, voluntária ou involuntariamente, entramos num processo de recuperação.
Tentamos recuperar nossos pensamentos, esperanças, dignidade, sonhos, promessas... São tantas coisas que ás vezes questionamos se realmente perdemos isso tudo, se achamos que perdemos ou se perdemos mais do que imaginávamos e ainda não sabemos.
O título de "regeneração" é quase irônico porque não há a reconstrução perfeita do "membro" perdido, mas sim a adaptação de coisas a um novo mundo, que pode ser pior ou melhor que o antigo (Geralmente pior... pelo menos no início).
Vive-se de recuperação, quando na verdade há sempre adaptação, reflexão e lamentos. Aprende-se, repensa, muda e decide-se. Ou ao menos se tenta isso.
Como bons humanos, muitos acabam se perdendo no caminho, ou perdendo parte de si. Perdem-se pelo tamanho do dano causado ou pela "incapacidade" de regenerá-lo? É uma questão de ponto de vista e de reflexões profundas. Eu acredito que o Ser humano é capaz de tudo, inclusive de entender que, seus danos são apenas formas de se aprender a viver de verdade, e não "ferimentos".
Claro que é irônico dizer, mas existe o fator humano. Podemos tudo, mas somos humanos e essa é nossa condição paradoxal. Como nos tornar melhores tendo todo o poder, se o poder advém da nossa própria incapacidade em descobrirmos o poder dentro de nós?
Para quem nem reflete sobre isso, a dor pode ser maior. A regeneração pode parecer impossível...
Cultivando algum otimismo, devemos sempre ir para frente. Encarar os danos, aprender com eles e, quem sabe, entender que são degraus de aprendizado e não avarias à nossa pessoa.
Devemos buscar sempre na dor a redenção. Não (necessariamente) querer a dor, mas de posse dela, buscar a razão e a solução da própria. Encará-la e refletir sobre ela até o momento em que compreendemos que ela não é mesmo dor, que o conceito é errado para se rotular o que passamos nestes momentos.
Não é lamento. Não é decepção. Não é razão para nos tornarmos tristes e nos sentirmos desprezados e mal-amados. Mas sim parte de nossa condição, uma força que conhecemos através de um processo que consideramos doloroso mas que, a partir da nossa compreensão, nada mais é do que aprendizado.
Faíscas da vida, esperança de compreensão e, por que não, um novo caminho para alcançar aquilo que realmente queremos de nossas vidas.
A regeneração nada mais é do que a reflexão e evolução de nosso próprio pensamento, de nossas próprias convicções e crenças nos outros e em nós mesmos.
Levando o indivíduo adiante. Devemos sempre acreditar em nosso próprio potencial e não deixar que as decepções e surpresas ruins nos transformem em pessoas (mais?) amargas e descrentes de nosso próprio destino. Devemos compreender a dor e tomá-la como parte de algo muito maior e mais importante do que meros danos à nossa pessoa ou a nossa alma.
Devemos ser fortes, mesmo que ela pareça tão forte quanto a gente. Pareça até maior, ás vezes.
Mas é através dela que chegaremos ao que queremos, deve-se acreditar...
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